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sábado, 18 de abril de 2026

Troféu em Homenagem ao Cartunista Jal



 Homenagem ao cartunista JAL - José Alberto Lovetro

"Amigo Edra que organiza há muitos anos o Super Salão de Humor de Caratinga, criou este troféu (Festival jal&Gual) homenageando a mim e ao Gualberto pelos anos de trabalho em prol do humor gráfico. Orgulho de ter um troféu onde há meu nome e do meu amigão Gualba e ainda de um Salão que tem história e começa por ser a cidade de Minas Gerais em que o tio Ziraldo nasceu. Muitos anos para o Salão grande EDRA!" (JAL)

sábado, 12 de fevereiro de 2022

Com Certeza Não Cometi Uma Heresia / Gual Gualberto Costa


     Vou transgredir ao pedido feito para escrever sobre o Salão Internacional de Humor de Caratinga e só irei falar do Élcio Danilo Russo Amorim, mais conhecido no mundo do cartum como EDRA. 
    Falar de Salão de Humor, temos obrigatoriamente que citar Fernando Coelho, o criador do primeiro, o Salão Mackenzie de Humor e Quadrinhos de 1973. Outros nomes são ligação direta aos mais importantes salões de humor do Brasil. Zetti, a Maria Ivete Araújo, e seus muitos anos dedicados às melhores edições do Salão Internacional de Humor de Piracicaba. Albert Piauhy que alargou as fronteiras do humor gráfico do país, colocando o Norte e Nordeste na geografia do cartum e da charge, com seu lendário Salão Internacional de Humor do Piauí. A brava resistência de Alexandre Clemente em perpetuar o Salão Internacional de Humor de Volta Redonda. 
    E o EDRA, que com poucos recursos, sempre batalhou com criatividade, e muitas vezes com verba do próprio bolso, para que seu salão não devesse nada aos maiores do mundo. Sempre com seu sorriso tímido e sua inseparável boina na cabeça, é figurinha carimbada em todos os eventos do humor gráfico no Brasil, tornando-se um especialista no assunto e em condições de renovar as fórmulas tradicionais. O Salão de Caratinga sempre se destacou pelas homenagens, primeiro ao conterrâneo Ziraldo, que fez a maioria dos cartazes do salão, e depois ao Zélio, Agnaldo Timóteo, Ruy Castro e Miriam Leitão, que também são seus concidadãos de Caratinga. Mas as homenagens ao Ziraldo foram além do possível, embora fundamental pela envergadura de nosso maior artista gráfico. Num país sem museu e espaços permanentes dedicados as artes gráficas, ele criou a “Casa Ziraldo de Cultura”, foi o fundador da Gibiteca Turma do Pererê e editou para a Melhoramentos o Livro “Ziraldo 85 – Ao Mestre com Carinho”, que foi premiado no 31º troféu HQMIX e resultou em uma exposição com o mesmo nome. 
    Mas as homenagens neste ano chegaram ao auge, com o reconhecimento e a premiação de importantes nomes do humor gráfico, 59 ao todo, além da criação de uma categoria com caricaturas de humorista gráficos. Neste ano eu e o JAL também fomos homenageados com o título de “Festival Jal&Gual”, e obviamente me senti muito orgulhoso, mas não tenho roupa para tal honraria. 
    EDRA, além do que já mencionei, é um fértil cartunista, só no Diário de Caratinga permaneceu por 13 anos, além da importante passagem pelos Jornais Correio Braziliense, Jornal de Brasília e Correio do Brasil. É autor de 27 livros e recebeu premiações em vários salões de humor do Brasil e do exterior. 
    Conhecido também por suas inumeráveis “selfies”(talvez o criador), tão em moda nos dias de hoje com os smartphones, arrebanhando nestas últimas décadas uma coleção invejável de fotos com os mais importantes artistas e os novíssimos, aqueles que em curto tempo ainda serão famosos e a quem dedica com seu salão todo o seu idealismo: Revelar os novos talentos. 
    Por tudo que já dedicou à arte do humor gráfico, não seria mais o caso de homenageá-lo, mas sim canonizá-lo. 
    Salve, Salve Santo EDRA, o protetor dos cartunistas!

Gualberto Costa
Editor e Pesquisador

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Salão Exaltação / Zé Roberto Graúna


 

    Desde que acompanho a História da Caricatura Brasileira, durante as realizações dos salões de humor nacionais mais tradicionais, sempre foi habitual homenagear os nossos ídolos do traço humorístico. Já vimos exposições paralelas nos salões de Piracicaba, Laura Alvim, Pernambuco e outros homenageando nossos mestres, e até tivemos um evento, nos anos 1980, em Niterói, no Rio de Janeiro, cujo batismo exaltava Nair de Teffé, nossa mais importante caricaturista. Pode ser que eu me engane, mas creio que é a primeira vez na História dos salões de humor brasileiros que um evento dedica toda a sua edição justamente aos profissionais que fazem o humor gráfico resistir: os cartunistas. 
    Com o título de Festival Jal & Gual, homenagem à dupla José Alberto Lovetro e Gualberto Costa (e de quebra à Daniela Baptista), que há décadas promove o prêmio HQMix e diversos outros projetos culturais; o evento é um tributo a todos que batalham pela manutenção do mercado editorial e de artes, e exalta também os muitos jornalistas, pesquisadores, agitadores culturais e colecionadores que trabalham pela preservação da memória do Humor Gráfico Brasileiro. 
    Durante a maior tragédia sanitária da História, os brasileiros tiveram que conviver com claras ameaças à Democracia, com manifestações que atingiram o Humor Gráfico Nacional, como nos casos da abertura de inquérito por parte do Ministério da Justiça contra uma charge do Aroeira (que gerou o movimento “Charge Continuada”), e a ação inédita, descabida e estapafúrdia de um imbecil travestido de vereador que atacou o 48º Salão Internacional de Humor de Piracicaba. Se não bastasse toda a crise política brasileira – a maior da História Republicana, ainda perdemos Alexandre Clemente (criador do Salão de Humor de Volta Redonda) e alguns dos maiores nomes do desenho nacional como Daniel Azulay, Lan, Mariano, Ota, Nani, Tacho, Lailson, Joanfi e Biratan Porto. 
    Que o 16º Salão Internacional de Humor de Caratinga nos sirva como um alento e nos conforte por tantas perdas inesperadas. Que o presente salão, especialmente para nós que atuamos como desenhistas de humor e organizadores de eventos do gênero, nos alimente com esperança de melhores dias para o nosso mercado editorial, a ciência, a educação, as artes e a cultura. 
    Saúde e Arte!

Zé Roberto Graúna
Cartunista e Pesquisador

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Jal & Gual, Tal e Qual / Marcelo Alencar


    No país da piada pronta, é de espantar que, pelo acaso da sonoridade de seus apelidos, eles não sejam conhecidos como a dupla sertaneja do humor gráfico. José Alberto Lovetro – o JAL – e João Gualberto Costa – o GUAL – protagonizam um desses raríssimos casos de simbiose à primeira vista. Quase não dá pra se falar de um sem mencionar o outro. Batalhadores de longa data das causas dos quadrinhistas, cartunistas, chargistas e caricaturistas, os dois têm muita história para contar. Nos anos de chumbo da ditadura, JAL passou pela escolinha Disney da Editora Abril enquanto GUAL organizava o Salão Mackenzie de Humor, embrião do evento internacional de Piracicaba. Ambos tornaram-se autores e editores de respeito. 
    Também juntaram forças para capitanear a Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas de São Paulo, a AQC – entidade classista que surgiu para reivindicar direitos trabalhistas para a categoria (foi ali o nascedouro do bonecão do senador Teotônio Vilela, um dos símbolos da campanha pelas Diretas Já). Não muito depois, ganharam a telinha da TVMix, da Gazeta, e foram divulgar e resenhar as obras de nossos artistas. Não satisfeitos, criaram o Troféu HQMix para premiar os melhores da área. E idealizaram o Instituto Museu de Artes Gráficas (IMAC) com a intenção de preservar a trajetória desse nicho da cultura popular. Na mesma toada e com igual entusiasmo, inventaram festivais, exposições virtuais e um sem-número de eventos aglutinadores de roteiristas e ilustradores – como os Sábados da Memória das Artes Gráficas, um programa de entrevistas que documenta a vida e os trabalhos de vários talentos do traço e do riso. 
    Nem todas as iniciativas listadas acima são frutos da parceria entre JAL e GUAL, mas como separar esses irmãos de armas, ícones que praticamente se fundem num só? Impossível entender as artes e o humor gráficos no Brasil nas últimas décadas sem citar as muitas e relevantes intervenções de José e João. Então, nada mais justo que homenageá-los como tema deste Salão de Humor de Caratinga, em que suas caricaturas traduzem a admiração e a amizade angariadas pela dupla junto a seus pares em todo o país. Valeu, queridões. A luta continua!

Marcelo Alencar
Jornalista e Editor de Quadrinhos